Carregando, por favor aguarde
Cadastre-se e receba novidades
Assunto

Peixes

Boas práticas no manejo alimentar de peixes em tanques

A piscicultura é uma atividade milenar, mas somente há algumas décadas o manejo alimentar de peixes começou a ser aprimorado. Assim como nas demais criações de animais, a nutrição é o encargo que demanda mais investimentos. Por isso, as práticas com a alimentação devem ser bem executadas, tendo como objetivo o desenvolvimento saudável dos peixes, sem desperdícios nem prejuízos.

O manejo da dieta dos cardumes depende de uma série de fatores como tamanho dos tanques, temperatura da água, tamanho e hábitos alimentares dos peixes, entre outros. Além disso, o produtor deve prezar pelas boas condições de armazenamento da ração e ponderar o custo-benefício na hora de escolher o fornecedor — sempre priorizando fórmulas que promovam o crescimento sadio e expressivo dos animais.

É sobre isso que falaremos neste artigo. Continue a leitura e veja algumas dicas para melhorar o manejo alimentar de peixes!

Conheça os hábitos alimentares da espécie peixe

Ao escolher a ração para o cardume, é crucial conhecer os hábitos alimentares dos peixes. Isso porque fatores como o nível de proteína exigido, o teor energético e a digestibilidade da ração são específicos para cada espécie.

Via de regra, peixes têm demandas proteicas mais elevadas quando comparados com outros animais de criação. Contudo, os de hábitos carnívoros, como o surubim, precisam de rações com teores de proteínas e energia mais altos que os peixes de hábitos onívoros, como o tambaqui.

Da mesma forma, a digestibilidade de componentes vegetais é menor para peixes carnívoros e maior para as espécies onívoras. Sendo assim, rações com maiores quantidades de ingredientes de origem animal em relação a dos de origem vegetal são mais adequadas para peixes carnívoros — e o inverso também é verdadeiro.

É recomendado que a ração seja fornecida sempre no mesmo horário para condicionar os peixes. A hora varia conforme a espécie — geralmente, para carnívoros e onívoros, o indicado é ao amanhecer e ao entardecer.

Verifique a temperatura da água

Um dos principais fatores que influenciam o volume de ração consumido pelo cardume nos tanques é a temperatura da água. Em geral, quanto menor a temperatura, menor o consumo. Portanto, se a temperatura cair, o fornecimento de ração também deve diminuir.

O recomendado é oferecer uma quantia por dia, quando a temperatura da água atingir valores abaixo dos 20°C. Entretanto, é preciso observar a voracidade dos peixes, podendo aumentar o fornecimento de acordo com o consumo.

Portanto, sempre faça o arraçoamento aos poucos, observando o comportamento do cardume. Jamais abra o saco de ração e despeje todo o seu conteúdo de uma vez só no tanque.

Certifique-se da qualidade da ração

É de suma importância que o piscicultor conheça a composição da ração que está comprando, no que diz respeito aos níveis de proteína, carboidrato, gordura, cinza, matéria seca e fibra bruta. Todas essas informações devem ser explicitadas no rótulo de cada saco de ração, mas é interessante que a concentração dos nutrientes garantida pelo fabricante seja averiguada periodicamente em laboratórios idôneos.

Do mesmo modo, o produtor pode exigir do fabricante de ração um laudo da sua composição centesimal. Assegure-se de escolher um fornecedor de confiança, que utilize matérias-primas de qualidade nas formulações.

Além disso, é importante que o alimento tenha uma boa estabilidade na água e que não apresente muitos finos. A medição da quantidade de finos deve ser realizada em cada lote de ração comprado. Após peneirar a ração, o resíduo (pó) precisa ser pesado e não deve ultrapassar 1% do peso total do saco amostrado.

Cuide com o tipo de processamento da ração

Prestar atenção ao tipo de processamento que a ração recebe na fábrica também faz parte das boas práticas de manejo alimentar de peixes. Para eles, o ideal é sempre oferecer rações extrusadas, em vez das peletizadas ou fareladas.

Isso se deve ao fato de que a ração extrusada tem maior estabilidade na superfície da água (em torno de 12 horas), o que torna a visualização do consumo mais fácil para o produtor. Além disso, elas têm uma digestibilidade maior que as demais formas processadas.

A farelada não é recomendada, pois a perda de nutrientes é grande, além de causar problemas aos peixes e a poluição da água. A peletizada, por sua vez, é melhor que a farelada por reduzir a perda de nutrientes e a seleção do alimento pelos animais. Porém, apresenta estabilidade de 15 minutos na água.

Atente para o tamanho do grão de ração

Em relação à granulometria, o tamanho do pellet deve ser adequado ao tamanho da abertura da boca de cada espécie e fase de vida do peixe. O grão deve ser ingerido inteiro pelo peixe — contudo, indivíduos maiores podem apresentar desinteresse em consumir pellets muito menores que o tamanho da sua boca.

Os tamanhos ideais de pellets em relação aos tamanhos dos peixes são os seguintes:

  • início da alimentação: pellet de 0,3 – 0,5 mm;
  • peixes de 1 a 8 cm: pellet de 1 mm;
  • peixes de 8 a 15 cm: pellet de 2,5 mm;
  • peixes de 15 a 30 cm: pellet de 4 mm;
  • peixes de 30 a 40 cm: pellet de 6 mm;
  • peixes de 40 a 60 cm: pellet de 10 mm;
  • peixes acima de 60 cm: pellet de 14 mm.

Dê a quantidade correta de ração

Como mencionamos, a quantidade de ração oferecida diariamente depende da temperatura, do tamanho do peixe e da sua voracidade. Porém, de modo geral, a prática é utilizar uma taxa de ração de 3 a 5% do peso vivo para os alevinos de até 50 g e reduzir essa quantidade gradativamente ao longo do cultivo. O recomendado é:

  • até 50 g: 3,5 a 5% do peso vivo;
  • 50 a 150 g: 3 a 4% do peso vivo;
  • 150 a 250 g: 2,5 a 3,5% do peso vivo;
  • 250 a 350 g: 2 a 3% do peso vivo;
  • 350 a 700 g: 1,5 a 2,5% do peso vivo;
  • 700 a 1000 g: 1 a 2% do peso vivo;
  • acima de 1000 g: 0,8 a 1,8% do peso vivo.

A quantidade de ração também é influenciada pela qualidade da água (e vice-versa), visto que o excesso de alimento no tanque provoca o aumento da atividade bacteriana nos sedimentos, levando à redução de oxigênio dissolvido na água. Isso resulta na produção de gás metano e sulfídrico, tóxicos para os peixes, prejudicando a saúde do cardume e fazendo com que diminuam o consumo de alimento.

Vale lembrar também que a espécie do peixe determina a quantia e frequência no fornecimento. Para os carnívoros, duas alimentações são ideais, mas para os onívoros como a tilápia, por exemplo, três suprimentos geram melhores resultados de desempenho.

Preze por boas condições de armazenamento

A maior demanda nutricional por proteínas faz com que a ração dos peixes seja onerosa, além de ser o maior investimento na produção. Então, se não for pelo capricho do piscicultor, que as boas condições de armazenamento sejam executadas pelo custo de aquisição dos insumos.

Dessa forma, os sacos de rações devem ser armazenados em local seco e ventilado, longe da luz e do acesso de animais, principalmente de roedores. Também não devem estar em contato com o chão nem com as paredes, para evitar a absorção de umidade.

A altura das pilhas de embalagens deve ser condizente com a recomendação do fabricante, mas, geralmente, é em torno de 15 a 20 sacos — o que evita que os pellets sejam danificados (quebrados ou esmagados) na armazenagem.

É crucial também que o local seja exclusivo para as rações, protegendo-as do contato com defensivos agrícolas e produtos químicos quaisquer que imponham risco de contaminação.

Assim como nas demais atividades de criação de animais, a nutrição tem um papel importante no desenvolvimento e na performance de um cardume. Sendo assim, o manejo alimentar de peixes é a peça-chave para a obtenção do sucesso na piscicultura.

As práticas de manejo também são influenciadas pelo modo como se cria os animais. Saiba, agora, quais são os sistemas existentes para criação de peixes e aprofunde o seu conhecimento!

Powered by Rock Convert
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *